Em fevereiro de 2016 me lembro que foi num sábado de manhã no Dojo estávamos a praticar sobre não usar força - se colocava força no ponto de contato o outro se apoiaria nessa força. E fizemos um exercício em dupla - tínhamos de colocar a palma da mão uma contra a outra - como se estivesse abrindo uma porta sem fechadura. Tínhamos que olhar sobre o ombro do parceiro e fazer um movimento único com o corpo em direção a este ponto. Não precisava ter pressa e simplesmente o movimento tinha que ser contínuo. Chegava uma certa altura o outro se desequilibrava.

Neste momento eu tive um insight - eu disse para mim mesma - "eu posso ser artista a partir deste momento".

 

Apesar de ter iniciado um processo artistico em 1996,  para mim ser artista era necessário ter uma rotina e não se preocupar com dinheiro e para isso eu precisava fazer uma poupança e quando tivesse uma vida mais garantida financeiramente eu iria começar um trabalho artístico mais sólido.

Só que depois deste insignt as coisas mudaram. Percebi que este movimento de ser artista tem que ser contínuo mesmo se for lento. E que eu tenho que colocar o meu corpo todo - isso significa usar a minha estrutura financeira atual, emocional, cultural, física nisto tudo. Mesmo que isso seja um empecilho.

Hoje falo e vejo com mais clareza. No ano passado não tinha consciência de tudo isso. Fatos e situações se formaram por instinto. O uso de materiais de baixo custo, a conciliação do meu trabalho como ilustradora com o meu trabalho artístico. O uso do meu tempo, o foco das atividades no Clube do desenho.

Depois deste insight fiquei mais alerta para outros acontecimentos no Dojo.

Os meus desenhos começaram a espelhar problemas que eu tinha nos movimentos de Aikido e usar materiais que representavam assuntos no Aikido. Não propositadamente e também não como representação de experiências. Mas com espontaneidade surgiam nos desenhos e objetos temas do Aikido.

Comecei a observar que estes temas não faziam só parte do Aikido mas do meu dia a dia e assuntos da humanidade.

No trabalho das lixas - começou pequeno e pouco a pouco se tomou um desenho de grande escala. O processo era sempre uma tentativa de ligar linhas, pontos e uma auto correção num movimento infinito sem ter limites.

No Aikido a tentativa de ligação e autocorreção é uma constante.

Google translated

On a Saturday morning in February 2016 on the dojo, we were practising about do not use strength. If we put strength the opponent could uphold this strength. Then we did an exercise. We had to put the palm together like if we had open the door without a lock. And look beyond the partner's shoulder, doing a unique movement with your body. We did not be hurried but the movement must be had to be continuous. It was a certain time that the partner unbalanced. At this moment I had an insight. I said to myself - I can be an artist from this moment.
 
Despite my artist work started in 1996, for me to be a true artist I needed to have a routine life
And not to be concern about money. Thinking this I would save some money and then dedicate my life to the arts.
But after this insight, the things had changed. I understood that this movement to be an artist must be continuous even if it is slow. And I need to put all my body. It is mean, my financial situation, emotional, cultural, physical in all this. Even if these could be a hindrance.
Today I can see these clearly. Last year I didn't realise all these things. Facts and situations came through instinctively. Using low-cost materials, reconciliation of my work as an illustrator with my personal work. Using my time consciously and focusing on Drawing Club's activities.
 
After this insight, I became more awaked at Dojo. My drawing became my problems mirror on Aikido. And using the same tools and issues. But without the purpose of representation. They simply emerged.
And I became to observe those themes did not only part of Aikido but on my daily life and humanity issue.
Looking to my Sand Paper Work - at the beginning, it was small and gradually became the big scale. The process was the attempt to connect point and lines. And auto corrections turning an infinite movement. We can see on aikido - connection and auto correction all the time.